Divulgação

Capa da edição brasileira de “O Esquadrão Guilhotina”, de Guillermo Arriaga
LEIA TRECHO DO LIVRO
O mexicano Guillermo Arriaga tem o dom de escrever roteiros para cinema que poderiam ser romances e romances que poderiam ser roteiros para cinema. Assim, todos saem ganhando. Seus roteiros têm a densidade própria dos livros e seus livros a agilidade quadro a quadro dos filmes. Ele mesmo já declarou que não vê diferença entre esses meios – para ele, ambos são literatura.

De fato o México profundo que surge em filmes como “Amores Brutos”, “Babel” e “Os Três Enterros de Melquíades Estrada” (roteiro pelo qual Arriaga foi premiado em Cannes), tingido pela violência e pela inexorabilidade do destino, é o mesmo, em essência, de seus três romances, “O Esquadrão Guilhotina”, “Um Doce Aroma de Morte” (leia trechos) e “Búfalo da Noite”. O que difere é a estrutura, mais intrincada nos filmes, em que três ou mais histórias correm paralelamente em um vai-e-vem no tempo, e mais simples (mas não menos intensa e surpreendente) nos livros, em que o texto se detém na mesma trama, nos mesmos personagens.

“O Esquadrão Guilhotina”, o primeiro que escreveu, acaba de ser lançado no Brasil, na última Bienal do Livro, com presença do autor. Um pouco distinto dos demais, talvez por ser obra menos “madura”, faz uso constante do humor, ainda que negro. Conta a curiosa história de Velasco, um aristocrata decadente, que resolve reinventar a guilhotina, aperfeiçoando-a, com o intuito de vendê-la ao revolucionário Pancho Villa como símbolo de poder e terror. Estamos em plena guerra civil, no México dos anos 1910.

O que nosso protagonista não esperava era que Villa, ao invés de pagá-lo em dinheiro farto, preferiu “recompensá-lo” com a patente de capitão em seu exército e a chefia de um novo esquadrão, o que dá nome ao título. Contrário aos ideais revolucionários, Velasco se vê na patética situação de seguir com sua barriga proeminente a poeira do exército que tanto abomina. Aos poucos, no entanto, movido pela vaidade e pelo sucesso das execuções em massa com a guilhotina, deixa-se levar pelo carisma de Villa. Claro, até o final, o pobre Velasco terá de enfrentar muitas reviravoltas, o que faz desse saboroso romance de estréia um divertido exercício de estilo.

Divulgação

Capa da edição brasileira de “Um Doce Aroma de Morte”, de Guillermo Arriaga
LEIA TRECHO DO LIVRO
“Um Doce Aroma de Morte” já é mais denso. Inspirado pelo clássico “Pedro Páramo”, de Juan Rulfo, Arriaga joga luz sobre a sombria região que separa a vida da morte. Em um pobre vilarejo próximo da fronteira com os EUA, o jovem Ramón encontra o corpo desnudo de uma bela adolescente com uma faca nas costas, a qual conhecia apenas de vista. Cobre-a com sua camisa e leva-a até a cidade, onde todos confundem seus cuidados com atenção amorosa.

Acreditando que a morta Adela era sua namorada, os habitantes do empoeirada vila convencem um confuso Ramón de que ele deve vingar a moça. Apaixonado pelo rosto doce de Adela, e embriagado pelo aroma de rosas que insiste em exalar de seu corpo inerte, Ramón aceita a terrível aventura. Para dificultar ainda mais a teia de malentendidos, a principal suspeita recai sobre o invencível Cigano, um contrabandista mulherengo que, à hora do crime, estava com a esposa de um conhecido morador da cidade. Um engano puxa o outro e o fio da tragédia vai se instalando no romance, prendendo a atenção do leitor até o ponto final. Prova de que Arriaga, que acaba de estrear na direção com “The Burning Plan”, com Charlize Theron e Kim Basinger no elenco, é mesmo um artesão na arte de entreter.


“O ESQUADRÃO GUILHOTINA”
Autor:
Guillermo Arriaga
Tradução: Carla Branco
Editora: Gryphus
Preço sugerido: R$ 29,90

“UM DOCE AROMA DE MORTE”
Autor:
Guillermo Arriaga
Tradução: Joana Angélica d’Avila Melo
Editora: Gryphus
Preço sugerido: R$ 39,90

Fonte: UOL
Anúncios