O escritor português José Saramago comentou a polêmica em torno da exumação dos restos mortais do poeta espanhol Federico García Lorca, escrevendo no seu blog que as razões invocadas pela família do poeta para impedi-la são “sem dúvida respeitáveis”, mas “perderam peso”.

O escritor lembra que os argumentos apresentados pelos familiares do poeta se relacionavam, “todos eles, em maior ou menor grau”, com questões que se podem classificar como “de decoro social, como a curiosidade malsã dos meios de comunicação social, o espetáculo em que se iria tornar o levantamento das ossadas”.

A família de Lorca anunciou que vai deixar de se opor à abertura da vala comum onde o poeta está enterrado, mas continua rejeitando que o processo se transforme num “espetáculo midiático”.

Num comunicado, os familiares do poeta disseram respeitar a vontade, expressa por familiares de outras vítimas enterradas no local, de exumar os restos mortais, um pedido já apresentado em tribunais de Madri.

Os parentes de Lorca também manifestaram o seu apoio à iniciativa de investigar e divulgar a identidade e as circunstâncias da morte de todos os assassinados pela ditadura de Francisco Franco (entre 1936 e 1975).

Para o autor de “O ensaio sobre a cegueira“, a exumação dos restos de Federico García Lorca, “enterrado como milhares de outros no barranco de Viznar, na província de Granada” se converteu “rapidamente em autêntico imperativo nacional”.

“Um dos maiores poetas de Espanha, o mais universalmente conhecido está ali, naquele páramo, aliás, em um lugar acerca do qual existe praticamente a certeza de ser a fossa onde jaz o autor do Romancero Gitano, junto com três outros fuzilados, um professor primário chamado Dióscoro Galindo e dois bandarilheiros anarquistas, Joaquín Arcollas Cabezas e Francisco Galadí Melgar”, escreveu Saramago.

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