A máfia e suas atividades sempre foram um prato suculento do cinema americano. Muitos filmes foram feitos, alguns antológicos como “O PODEROSO CHEFÃO”, uma saga contada com maestria pelo maior diretor de cinema vivo – Francis Ford Coppola. Outros filmes também bons já se basearam nesse tema. Martin Scorsese adora falar sobre a máfia.

Até comédias já foram feitas sobre o assunto. A máfia no divã, com Robert De Niro é um exemplo dessa tentativa.

Ontem terminei de assistir a série da HBO “The Sopranos”, uma série feita para a televisão que virou Cult pelo mundo afora. Também tem a máfia como ambiente, mas de uma forma diferente. Imagine um chefe mafioso, ítalo-americano, “of course”, que tem crises de pânico! Imagine esse mesmo chefe fazendo psicoterapia durante sete anos, desvendando suas relações edipianas, querendo sempre manipular a psiquiatra (em todos os sentidos). Vocês devem estar imaginando que estou falando de mais uma comédia sobre a máfia, mas não estou. Falo de uma série de 68 episódios que mostram os personagens mafiosos, humanizados e não simplesmente assassinos cruéis. Eles até são, mas esse não é o único apelo da série.

“The Sopranos” traz os mafiosos para a vida real. Eles têm filhos, que tem problemas, que estudam, que namoram, que fazem tudo aquilo que todos fazem. Mostrar os personagens mafiosos, que geralmente são modelos de liderança, de crueldade de frialdade e de violência, como pessoas com conflitos pessoais e apegos sentimentais comuns é uma forma muito interessante de se contar a história.

Isso é feito sem que os episódios se tornem chatos e pesados. Oscilamos o tempo todo entre a ternura e o escárnio, entre o amor familial e a brutalidade plena, entre alguns conflitos de consciência e a necessidade imperiosa de riqueza fácil, obediência cega e os negócios.

Não há muito como definir essa maravilhosa série da HBO, que nos traz atores e atrizes exuberantes em suas interpretações. O capitão da máfia Silvio Dante, é uma construção primorosa de um tipo que combina várias essências na mesma pessoa. Outros tantos personagens são desenvolvidos com simplicidade, aliada a muita complexidade psicológica. Se tudo isso ainda fosse pouco, temos uma trilha sonora encantadora e casada com as imagens no momento exato, tornando as cenas realmente marcantes.

Podem acreditar que é uma série que merece ser vista. Quando forem até a locadora, peguem o primeiro disco da primeira temporada e experimentem. Acho que não tem como dar errado. Daí para frente basta reservar cerca de 68 horas para devorar tudo até o final e ficar triste, pois não há mais episódios para serem vistos.

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