Mulheres é um livro referência de Charles Bukowski, escritor americano – 1920/1994. Nasceu na Alemanha, mas foi para os EUA com três anos de idade.

É considerado o autor contemporâneo mais influente e imitado na América. Conhecido como escritor alcoólico, Bukowski foi mesmo um desconstrutor do sonho americano. Seus poemas tem força, muitas vezes confundidos como “sujos”, mas basta ler alguns para sentir a força poética, delicada, da incrível forma requintada como expõe a condição humana.

Me levou quinze anos para humanizar a poesia mas será preciso mais do que eu para humanizar a humanidade.

Mulheres é um livro alter ego do escritor, pois seu personagem Henry Chinaski é ígualmente alcoólico, viciado em mulheres e em corrida de cavalos; e escritor também, portanto se quiser saber desse fenômeno que antecedeu os beatniks, é só ler.

Seus livros são procurados por jovens que querem saber como lidar com a melancólica situação de ser humano, sem precisar lidar com subterfúgios hipócritas.

Mulheres - Charles Bukowski

Tem mais de cinquenta livros, inéditos em sua maior parte, um verdadeiro tesouro oculto. Inclusive, para quem estiver interessado, há um belo livro seu de poemas, publicado pela Spectro Editora, Hino da Tormenta e mais quatro que a editora ficou de publicar no Brasil. Preciso conferir porque são imperdíveis. Fonte de inspiração para quem escreve ou quer apenas compreender melhor a vida que nos cerca através de belíssimos poemas.

Charles Bukovski bebeu até morrer mas morreu com idade surpreendente a julgar por sua total falta de escrúpulo com a saúde. Para ele só importavam a literatura, as mulheres, os cavalos e seus inseparáveis drin’ks.

Mas, como disse no início, é até hoje o escritor americano de maior referência, o que significa que, para o bem da humanidade leitora e escritora, herdamos a eternidade de um poeta paradoxalmente lírico, contundente, sujo, mas absolutamente requintado com as palavras.

Trecho do livro Mulheres

Katherine ficou mais uns quatro ou cinco dias. Já estava no seu período fértil do mês e era arriscado trepar. Eu detestava camisinha. Ela comprou uma espuma anticoncepcional. Nesse meio tempo a polícia achou meu fusca… Mandei rebocá-lo até uma oficina de HollyWood…

– Aposto que você conhece um monte de mulher – disse Hilda – A gente leu seus livros.

– Eu escrevo ficção.

– Que ficção?

– Ficção é a vida melhorada.

– Quer dizer que você mente? – perguntou Gertrude.

– Um pouco. Não muito.

– Você tem namorada? – perguntou Hilda.

– Não. Agora não.

– A gente vai ficar – disse Gertrude.

– Só tem uma cama.

– Tudo bem.

– Só mais uma coisa…

– Eu é que vou dormir no meio…

 

Fonte: Lendo

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