EXCELENTE!! LIVRO INCRÍVEL!

Berry, Steve. “O Elo de Alexandria”, Ed. Record, 2008.

Vamos à sinopse:

Depois de O Legado dos Templários, Cotton Malone regressa numa aventura de cortar a respiração, que o coloca a si e à sua família em grave perigo – e que coloca Malone cara a cara com uma desconcertante verdade há muito arrancada das prateleiras da lendária Biblioteca de Alexandria.

A Biblioteca de Alexandria foi a mais ambiciosa e importante colecção de conhecimento antigo alguma vez reunido. O edifício que a albergava manteve-se de pé durante 600 anos e, no seu apogeu, conteve mais de 500 000 manuscritos.
 
Há 1500 anos, desapareceu. Nenhuma pista arqueológica da biblioteca principal foi alguma vez descoberta.
Agora, a ex-mulher de Cotton Malone aparece à porta deste em pânico: o filho de ambos foi raptado. Minutos depois, a livraria de Malone é atacada – tudo porque ele é a única pessoa à face da Terra que conhece o paradeiro do Elo de Alexandria, o fio condutor que levará à desaparecida biblioteca.
Mas, encontrar esse alojamento perdido do conhecimento, verdades escondidas durante um milénio e meio, terá graves consequências – tanto para Malone como para o equilíbrio do poder mundial.

Vamos à história:

Biblioteca de Alexandria

Interior da antiga Biblioteca de Alexandria. 

Interior da antiga Biblioteca de Alexandria.

Biblioteca de Alexandria foi uma das maiores bibliotecas do mundo e se localizava na cidade egípcia de Alexandria.

 

História

Considera-se que tenha sido fundada no início do século III a.C., durante o reinado de Ptolomeu II do Egito, após seu pai ter construído oTemplo das Musas (Museum). É atribuída a Demétrio de Falero sua organização inicial. Uma nova biblioteca foi inaugurada em 2003próxima ao sítio da antiga.

Estima-se que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000. Foi destruída parcialmente inúmeras vezes, até que em 646 d.C. foi destruída num incêndio acidental (acreditou-se durante toda a Idade Média que tal incêndio houvesse sido causado pelos árabes).

Fragmento da Septuaginta, traduzida do heberu para o grego koiné, entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria. 

Fragmento da Septuaginta, traduzida do heberu para o grego koiné, entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria.

Conta-se que um dos incêndios da lendária biblioteca foi provocado por Júlio César. Em caçada ao seu inimigo de Triunvirato (formado por César, Pompeu e Crasso), Pompeu, César deparou com a cidade de Alexandria, governada na época por Ptolomeu XII, irmão de Cleópatra. Pompeu foi decapitado por um dos tutores do jovem Ptolomeu, e sua cabeça foi entregue a César juntamente com o seu anel. Diz-se que ao ver a cabeça do inimigo César pôs-se a chorar. Apaixonando-se perdidamente por Cleópatra, César conseguiu colocá-la no poder através da força. Os tutores do jovem faraó foram mortos, mas um conseguiu escapar. Temendo que o homem pudesse escapar de navio mandou incendiar todos, inclusive os seus. O incêndio alastrou-se e atingiu uma parte da famosa biblioteca.

A instituição da antiga biblioteca de Alexandria tinha como o principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional. Continha livros que foram levados de Atenas. Existia também matemáticos ligados à biblioteca, como por exemplo Euclides de Alexandria. Ela se tornou um grande centro de comércio e fabricação de papiros.

A lista dos grandes pensadores que frequentaram a biblioteca e o museu de Alexandria inclui nomes de grandes gênios do passado. Importantes obras sobre geometria, trigonometria e astronomia, bem como sobre idiomas, literatura e medicina, são creditados a eruditos de Alexandria. Segundo a tradição, foi ali que 72 eruditos judeus traduziram as Escrituras Hebraicas para o grego, produzindo assim a famosa Septuaginta.

 

Os grandes nomes da Alexandria antiga

Euclides: matemático, quarto século a.C. O pai da geometria e o pioneiro no estudo da óptica. Sua obra Os Elementos foi usada como padrão da geometria até o século XIX.

Aristarco de Samos: astrônomo, terceiro século a.C. O primeiro a presumir que os planetas giram em torno do Sol. Usou a trigonometria na tentativa de calcular a distância do Sol e da Lua, e o tamanho deles.

Arquimedes: matemático e inventor, terceiro século a.C. Realizou diversas descobertas e fez os primeiros esforços científicos para determinar o valor do pi (π).

Calímaco (c. 305-c. 240 a.C.): poeta e bibliotecário grego, compilou o primeiro catálogo da Biblioteca de Alexandria, um marco na história do controle bibliográfico, o que possibilitou a criação da relação oficial (cânon) da literatura grega clássica. Seu catálogo ocupava 120 rolos de pariro.

Eratóstenes : polímata (conhecedor de muitas ciências) e um dos primeiros bibliotecários de Alexandria, terceiro século a.C. Calculou a circunferência da Terra com razoável exatidão.

Galeno: médico, segundo século d.C. Seus 15 livros sobre a ciência da medicina tornaram-se padrão por mais de 12 séculos.

Herófilo: médico, considerado o fundador do método científico, o primeiro a sugerir que a inteligência e as emoções faziam parte do cérebro e não do coração.

Hipátia: astrônoma, matemática e filósofa, terceiro século d.C. Uma das maiores matemáticas, diretora da Biblioteca de Alexandria; por ser pagã, foi assassinada, sofrendo linchamento, a mando de São Cirilo.

Ptolomeu: astrônomo, segundo século d.C. Os escritos geográficos e astronômicos eram aceitos como padrão.

 

A nova biblioteca

O edificio atual da biblioteca de Alexandria, na cidade de Alexandria no Egito.O edifício atual da biblioteca de Alexandria, na cidade de Alexandria no Egito.

A atual biblioteca pretende ser um dos centros de conhecimento mais importantes do mundo. A estrutura, que tem o nome oficial de Bibliotheca Alexandrina, integra, para além da principal, quatro bibliotecas especializadas, laboratórios, um planetário, um museu de ciências e um de caligrafia e uma sala de congresso e de exposições.

A Biblioteca Tahan Hussein é especializada em cegos e invisuais, a dos Jovens é dedicada a pessoas entre os 12 e os 18 anos, a das crianças é para quem tem entre seis e 12 anos, e a Multimédia está dotada com CD, DVD, cassetes áudio e vídeo, dispositivos e fotografias. Há ainda uma sala de microfilmes, uma de manuscritos e outra de livros raros.

Inicialmente, a ideia era dotar a biblioteca de oito milhões de livros, mas como foi impossível angariar essa quantidade ficou pela metade. Assim, foi dada prioridade à criação de uma biblioteca cibernética. No local estão ainda guardados dez mil livros raros, cem mil manuscritos, 300 mil títulos de publicações periódicas, 200 mil cassetes áudio e 50 mil vídeo. No total podem trabalhar na Biblioteca de Alexandria cerca de 3500 investigadores, que têm ao dispor 200 salas de estudo.

Entrada da biblioteca Entrada da biblioteca

O telhado de vidro e alumínio tem quase o tamanho de dois campos de futebol, este teto da biblioteca é um disco com 160 metros de diâmetro reclinado, que parece em parte enterrado no solo. Ele é provido de clarabóias, voltadas para o norte, que iluminam a sala de leitura principal. Os espaços públicos principais ficam no enorme cilindro com o topo truncado, cuja parte inferior desce abaixo do nível do mar. A superfície inclinada e brilhante do telhado começa no subsolo e chega a 30 metros de altura. Olhando à distância, quando a luz do Sol reflete nessa superfície metálica, a construção parece o Sol quando nasce no horizonte. A entrada é pelo Triângulo de Calímaco, uma varanda de vidro triangular, assim chamada em homenagem ao bibliotecário que sistematizou os 500 mil livros da antiga biblioteca.

A moderna biblioteca de Alexandria. A moderna biblioteca de Alexandria.

A sala de leitura tem vinte mil m² e é iluminada de forma uniforme por luz solar directa. Ao todo a biblioteca tem onze pisos, sete à superfície e quatro subterrâneos, sustentados por 66 colunas de 16 metros cada uma.

As paredes sem janelas revestidas a granito que sustentam a parte do círculo que fica à superfície têm incrustados os símbolos utilizados pela Humanidade para comunicar, como os caracteres dos alfabetos, notas musicais, números e [símbolos] algébricos, códigos das linguagens informáticas, etc.

O projecto da biblioteca é da autoria de uma firma de arquitectos noruegueses, a Snohetta. A construção demorou sete anos, mas a ideia nasceu em 1974. Os principais financiadores da instituição foram a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e o governo egípcio e o custo total da obra rondou os 200 milhões de euros.

Interior da nova biblioteca de Alexandria. Interior da nova biblioteca de Alexandria.

A reconstrução da famosa Biblioteca de Alexandria resultou numa estrutura de forma incomum. A construção principal da Biblioteca Alexandrina, como agora é oficialmente chamada, parece um gigantesco cilindro inclinado.

A ampla fachada do cilindro central, de granito cinza, tem letras de alfabetos antigos e modernos. Dispostas em fileiras, as letras representam apropriadamente as bases fundamentais do conhecimento.

A maior parte do interior do cilindro é ocupada por uma sala de leitura aberta, com o piso em vários níveis. No subsolo há espaço suficiente para 8 milhões de volumes. Há também espaços reservados para exposições, salas de conferências, biblioteca para cegos e um planetário — uma estrutura esférica, à parte, que lembra um satélite. Esse prédio moderníssimo inclui ainda sistemas sofisticados de computadores e de combate a incêndios.

Uma biblioteca longe de estar à altura do seu passado, mas excelente

A biblioteca reconstruída foi aberta ao público em outubro de 2002, e contém por volta de 400 mil livros. Seu sofisticado sistema de computadores permite ainda ter acesso a outras bibliotecas. A coleção principal destaca as civilizações do Mediterrâneo oriental. Com espaço para 8 milhões de livros, a Biblioteca de Alexandria procura realçar ainda mais a importância dessa cidade anciã.

 

Vamos à crítica:

Steve Berry está se tornando um mestre do suspense (romance). Ele não está misturando pura e simples ficção, muito pelo contrário: está baseando seus livros em história documentada. Está fazendo papel de historiador!

Com vasta pesquisa de campo, visita todos os lugares dos quais seus personagens passam para, posteriormente, ter uma descrição detalhada dos lugares. Tem uma ampla bibliografia que o apóia, que não é a tradicional e não é facilmente achada nos caminhos simples do “google” ou em qualquer livraria.

Outra coisa excelente é a construção dos personagens. Berry não apela para romance ou sedução, ou sexo, para ser mais explícita. Pois ele não precisa. A trama é completa, o suspense e os personagens se completam sem a necessidade de voltar ao lado romântico. Os personagens são complexos e com traumas, marcados por situações do passado, duros. O personagem principal, Cotton Malone é um charme com sua memória infalível. Essa sua memória é extremamente sedutora ao mesmo tempo em que faz de tudo para salvar a vida do filho e resolver os problemas com a ex-mulher.

Um livro historiográfico cheio de suspense. Vale a pena ler, pois se aprenderá muito lendo.

Flávia Silva.

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